As discrepâncias na correção da redação do ENEM: o que fazer diante disso?
- ComTexto

- 28 de jun.
- 3 min de leitura

Falta de transparência desanima candidatos para o Enem 2026
Na última semana de junho, a divulgação dos microdados do ENEM 2025 reacendeu uma discussão antiga entre professores e estudantes: afinal, o processo de correção da redação é realmente tão objetivo quanto se espera de uma avaliação dessa importância?
As análises realizadas por pesquisadores e especialistas apontaram discrepâncias significativas entre as notas atribuídas por corretores a um mesmo texto. Embora o ENEM possua critérios de correção, dupla avaliação e procedimentos de revisão quando há divergências elevadas, os microdados revelam que ainda existem inconsistências que geram preocupação.
Como professora de redação, minha primeira reação também foi de indignação. É frustrante perceber que um exame capaz de definir o futuro acadêmico de milhões de estudantes ainda desperta dúvidas quanto à uniformidade de suas avaliações.
Mas, depois da indignação, surge uma pergunta ainda mais importante: O que fazer diante dessa realidade?
Entre a revolta e a desistência
É compreensível que muitos alunos sintam desânimo. "Se a correção pode variar tanto, então meu esforço vale a pena?"
Esse questionamento é legítimo. Há quem inclusive desista do Enem e faça apenas vestibulares. Porém, para a maioria dos estudantes brasileiros, o Exame Nacional é a única oportunidade de ingressar na universidade. Diante disso é preciso que ao compreender que ficar remoendo a revolta não será produtivo, pior, só trará mais problemas, visto que esse sentimento será um intruso em meio ao estudo, paralisando sua preparação.
Aquilo que não controlamos e aquilo que podemos fazer
Nem sempre os processos seletivos são perfeitos. Nem sempre as instituições oferecem o nível de transparência que gostaríamos. E isso não está sob nosso controle, sobretudo quando a banca não oferece revisão de prova por meio de recursos, como o Enem.
Então, o que está fora do nosso controle não pode ser motivo de pressão emocional. Por isso, é preciso concentrar sua energia naquilo permanece sob seu controle: estudar, escrever, revisar, amadurecer argumentos e desenvolver uma escrita cada vez mais consistente.
Dominar a competência da linguagem, compreender profundamente o tema, desenvolver repertórios pertinentes, escrever com clareza e elaborar uma proposta de intervenção consistente continuam sendo os caminhos mais seguros. Nenhum desses elementos elimina completamente a subjetividade existente em qualquer avaliação humana. Entretanto, todos eles reduzem o espaço para interpretações equivocadas.
Mesmo diante das inconsistências apontadas, algumas verdades permanecem: Uma redação bem estruturada continua apresentando maiores chances de receber uma boa avaliação do que um texto mal organizado.
Não se trata de passividade, mas de foco
Não se trata de aceitar passivamente a falta de transparência do processo. Não se trata de aceitar a injustiça. Essas discussões precisam continuar acontecendo e são fundamentais para o aperfeiçoamento do exame. Mas chamo a atenção para não fazer dela o impedimento para que seus estudam fluam.
Reconhecer problemas no ENEM não significa deixar de denunciá-los. Pelo contrário. É importante cobrar transparência, critérios cada vez mais objetivos e avaliações mais consistentes.
Mas também é importante não permitir que essas falhas definam a própria trajetória.
Enquanto houver uma prova a ser enfrentada, a melhor estratégia continua sendo preparar-se da melhor forma possível. Por isso, a ComTexto, não abre mão da qualidade de uma redação consciente e focada no objetivo maior do seu aluno, porque não podemos controlar a banca, mas podemos controlar a qualidade da preparação
Não podemos escolher a banca que corrigirá nossa redação. Mas podemos escolher chegar até ela com o melhor texto que somos capazes de escrever. E essa continua sendo a escolha que vale a pena fazer todos os dias. Vamos juntos!?





Comentários