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Escrever difícil não é escrever bem

O perigo do rebuscamento na redação



Existe uma ideia bastante difundida entre estudantes de que escrever bem é "escrever difícil", Como se o uso de palavras rebuscadas, expressões pouco usuais ou termos jurídicos garantissem automaticamente uma redação mais sofisticada.

Não garantem. Na prática, muitas vezes, fazem exatamente o oposto.



Na tutoria de redação da ComTexto , é comum encontrar textos que utilizam termos como status quo, fulcral, óbice ou construções excessivamente formais, em tom quase jurídico, na tentativa de demonstrar domínio da norma culta. O problema é que vocabulário não é enfeite. É instrumento de precisão. E, quando usado sem real compreensão, compromete a clareza e enfraquece a argumentação.


A falsa ideia de que simplicidade é sinônimo de texto fraco


Muitos alunos acreditam que escrever de forma simples significa escrever de forma pobre. Esse pensamento costuma nascer da insegurança: o medo de parecer “básico”, “comum” ou pouco inteligente.

Mas há uma diferença enorme entre simplicidade e superficialidade.

Um texto simples pode ser profundo, bem estruturado e extremamente competente. Já um texto rebuscado pode ser confuso, artificial e incoerente.

Escrever bem não é impressionar pelo vocabulário. É convencer pela argumentação.


Quando o vocabulário vira obstáculo


O uso de palavras difíceis só faz sentido quando há domínio do significado e adequação ao contexto.

O que frequentemente acontece é:

  • uso incorreto do termo;

  • aplicação fora de contexto;

  • quebra da fluidez do texto;

  • tentativa forçada de parecer erudito


Palavras ponposas, ditas "difíceis", como expressões em latim, termos técnicos ou palavras eruditas não elevam automaticamente o nível da redação. Se estiverem deslocadas, evidenciam fragilidade — não sofisticação.

A banca avaliadora não está procurando um futuro jurista escrevendo sentença. Está avaliando a capacidade de argumentar com clareza, coerência e domínio da norma padrão.


O que realmente é avaliado em uma boa redação


Independentemente da prova, alguns critérios são constantes:


  • clareza na exposição das ideias;

  • progressão argumentativa;

  • coerência;

  • precisão vocabular;

  • adequação ao tema.


Perceba: precisão vocabular não significa raridade vocabular. Mas a palavra aplicada a partir do seu sentido específico e contextual.

Uma palavra comum, bem empregada, é muito mais eficiente do que um termo complexo mal utilizado.


Domine a linguagem


Existe um sinal claro de maturidade textual quando o autor não precisa provar que sabe escrever. Textos realmente bons não parecem esforço. Eles fluem. São claros. São firmes. Demonstram domínio — não exibicionismo.

Se você sente que precisa “complicar” para que sua redação pareça boa, talvez esteja na hora de mudar o curso dessa linguagem.



 

 
 
 

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