Escrever difícil não é escrever bem
- ComTexto

- 27 de fev.
- 2 min de leitura
O perigo do rebuscamento na redação

Existe uma ideia bastante difundida entre estudantes de que escrever bem é "escrever difícil", Como se o uso de palavras rebuscadas, expressões pouco usuais ou termos jurídicos garantissem automaticamente uma redação mais sofisticada.
Na tutoria de redação da ComTexto , é comum encontrar textos que utilizam termos como status quo, fulcral, óbice ou construções excessivamente formais, em tom quase jurídico, na tentativa de demonstrar domínio da norma culta. O problema é que vocabulário não é enfeite. É instrumento de precisão. E, quando usado sem real compreensão, compromete a clareza e enfraquece a argumentação.
A falsa ideia de que simplicidade é sinônimo de texto fraco
Muitos alunos acreditam que escrever de forma simples significa escrever de forma pobre. Esse pensamento costuma nascer da insegurança: o medo de parecer “básico”, “comum” ou pouco inteligente.
Mas há uma diferença enorme entre simplicidade e superficialidade.
Um texto simples pode ser profundo, bem estruturado e extremamente competente. Já um texto rebuscado pode ser confuso, artificial e incoerente.
Escrever bem não é impressionar pelo vocabulário. É convencer pela argumentação.
Quando o vocabulário vira obstáculo
O uso de palavras difíceis só faz sentido quando há domínio do significado e adequação ao contexto.
O que frequentemente acontece é:
uso incorreto do termo;
aplicação fora de contexto;
quebra da fluidez do texto;
tentativa forçada de parecer erudito
Palavras ponposas, ditas "difíceis", como expressões em latim, termos técnicos ou palavras eruditas não elevam automaticamente o nível da redação. Se estiverem deslocadas, evidenciam fragilidade — não sofisticação.
A banca avaliadora não está procurando um futuro jurista escrevendo sentença. Está avaliando a capacidade de argumentar com clareza, coerência e domínio da norma padrão.
O que realmente é avaliado em uma boa redação
Independentemente da prova, alguns critérios são constantes:
clareza na exposição das ideias;
progressão argumentativa;
coerência;
precisão vocabular;
adequação ao tema.
Perceba: precisão vocabular não significa raridade vocabular. Mas a palavra aplicada a partir do seu sentido específico e contextual.
Uma palavra comum, bem empregada, é muito mais eficiente do que um termo complexo mal utilizado.
Domine a linguagem
Existe um sinal claro de maturidade textual quando o autor não precisa provar que sabe escrever. Textos realmente bons não parecem esforço. Eles fluem. São claros. São firmes. Demonstram domínio — não exibicionismo.
Se você sente que precisa “complicar” para que sua redação pareça boa, talvez esteja na hora de mudar o curso dessa linguagem.





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